Ações afirmativas para negros no Brasil: o início de uma reparação histórica 

 

De acordo com Gomes (2003), o racismo produz o preconceito racial, que é um julgamento negativo sobre pessoas ou grupo de pessoas, que por sua vez, gera a discriminação racial pode ser entendida como o racismo na prática. 

 

Para a autora, o preconceito teoriza e a discriminação executa.  

 

Assim, o racismo, o preconceito racial e a discriminação racial, criam um círculo vicioso que inferioriza e exclui a população negra. Veja o que diz Florestan Fernandes: 

 

A simples negligência de problemas culturais, étnicos e raciais numa sociedade nacional tão heterogênea indica que o impulso para a preservação da desigualdade é mais poderoso que o impulso oposto, na direção da igualdade crescente. [...] Nenhuma democracia será possível se tivermos uma linguagem “aberta” e um comportamento “fechado”. Fernandes (2008, p. 161-162) ( grifos do autor) 

 

Veja o vídeo e tire suas conclusões sobre esse assunto 


 


 

http://www.youtube.com/watch?v=yBcajWhOis8 

 

 

O que achou do vídeo? Seria inadequado promover ações afirmativas do tipo cotas para negros? O que você pensa sobre esse assunto? 

 

Ações afirmativas e cotas para negros 

 

Frente a tantas injustiças e desigualdades raciais, o que fazer para interromper esse processo que já vem de tanto tempo? Para intervir nesse processo o  Brasil aderiu ao programa de ações afirmativas criado em 1963 pelo J.F.Kennedy.  Mas, o que são ações afirmativas?  

 

Podem ser definidas como: 

 

[...] um conjunto de políticas públicas e privadas de caráter compulsório, facultativo ou voluntário, concebidas com vistas ao combate da discriminação de raça, gênero etc., bem como para corrigir os efeitos presentes da discriminação praticada no passado (GOMES, p.27, 2001).  

  

As ações afirmativas nos Estados Unidos não são uma estratégia nascida em gabinetes governamentais pensando no povo negro. Na verdade, trata-se de uma conquista pelo movimento negro, depois de muitas lutas pelos direitos civis. 

 

Segundo Gomes (2001, p. 6-7), os objetivos das ações afirmativas são:  

 

[...] induzir transformações de ordem cultural, pedagógica e psicológica, visando a tirar do imaginário coletivo a idéia de supremacia racial versus subordinação racial e/ou de gênero; coibir a discriminação do presente; eliminar os efeitos persistentes da discriminação do passado, que tendem a se perpetuar e que se revelam na discriminação estrutural; implantar a diversidade e ampliar a representatividade dos grupos minoritários nos diversos setores; criar as chamadas personalidades emblemáticas, para servirem de exemplo às gerações mais jovens e mostrar a elas que podem investir em educação, porque teriam espaço.